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sábado, 7 de junho de 2008

Perigo a caminho

A discussão acerca da situação de tribos indígenas nunca contatadas, suscitada após a divulgação de fotos de uma tribo incomunicável encontrada na Amazônia na semana passada, continua em foco nos veículos internacionais. O periódico britânico, The Independent, publicou um alerta de perigo para esta tribo esta semana.
Sob o título “Estrada para o esquecimento: Nova estrada apresenta ameaça para incomunicável tribo brasileira”, o jornal anuncia que esta tribo enfrentará um perigo nunca antes imaginado. “Ele [o perigo] vem de uma coisa da qual eles nunca ouviram falar, que está sendo construída para servir pessoas que eles nem imaginam que existem. [O perigo] é a estrada, que com tempo pode levar à sua destruição”, diz a reportagem.
A estrada da qual a reportagem fala é a Trans-Oceânica, que futuramente irá ligar os portos brasileiros do rio Amazonas com os portos do Oceano Pacífico no Peru. Segundo declaração de um especialista em população brasileira, John Hemming, as más notícias são que os chineses vêm pressionando Brasil e Peru para a construção desta estrada. Ainda segundo Hemming, em teoria a estrada não afetará essas tribos, nem passará por suas terras; mas a construção de uma estrada principal dá margem para que outras paralelas surjam, e para que a área comece a ser povoada; a partir daí representando perigo para as tribos indígenas.
De acordo com a reportagem, uma das maiores ameaças a estas populações indígenas é o contato com nossas doenças do dia-a-dia, das quais eles não são imunes.
O jornal enfatiza que política adotada pelo governo brasileiro é a de deixar essas tribos sozinhas o maior tempo possível. A notícia ainda afirma que só é feito contato com esses povos em casos de emergência ou necessidade de ter o território da tribo mapeado e preservado. Também é dito na publicação que nós temos imensas áreas protegidas para as comunidades indígenas e que a opinião pública brasileira está do lado deles. Em uma enquete realizada que perguntava se estava certo que a população indígena, que representa menos de 1% da população brasileira, deveria ocupar 11% do território brasileiro, mais de dois terços dos entrevistados respondeu que sim.
A notícia encerra dizendo que a estrada está a caminho, e que isto custará muito mais que arcos e flechas para impedi-la.
Finalmente, uma entre tantas publicações internacionais sobre este assunto não se mostrou apenas embasbacada com tal descoberta, e sim, acrescentou novas discussões e levantou questões pertinentes acerca da situação dessas tribos indígenas.
Fonte: The Independent

sábado, 31 de maio de 2008

Continuando...

*Foto da tribo indígena legendada pela rede BBC News
Tive dificuldades para encontrar notícias interessantes relacionadas ao Brasil publicadas neste sábado. A grande maioria dos meios de comunicação internacional continua falando sobre a descoberta da tribo indígena na Amazônia. El País, jornal espanhol, a rede americana CNN são alguns dos veículos que repercutem tal acontecimento atualmente. Confesso que fiquei bastante supresa com tamanha divulgação.
Entre tantas citações, o site do canal inglês BBC News, somente ontem, publicou três reportagens sobre o assunto. Na primeira delas anunciava a “descoberta”, sob o título “Tribos isoladas encontradas no Brasil”. Na segunda, destrinchava cada detalhe das fotografias, sob o título “Enigma Amazônico: o que as fotos nos revelam sobre a tribo amazônica?”. Na terceira e última da série, divulgou um vídeo a respeito do assunto. Ainda no site da BBC News, a notícia sobre a tribo indígena estava entre as cinco histórias mais populares no momento. É, parece que o “primeiro” mundo não imaginava mesmo que tal fenômeno pudesse existir, e agora estão completamente embasbacados. Só espero que não generalizem tal assunto, e construam novamente a imagem de que todos nós brasileiros vivemos em árvores.


Fonte: BBC News; El País; CNN


Imagem: BBC News

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Incomunicáveis

Fotos de uma tribo indígena do Acre, divulgadas nesta quinta-feira, provocaram grande repercussão na mídia internacional hoje. O peculiar destas fotos é que a tribo retratada nunca entrou em contato com nenhum tipo de civilização. Os veículos internacionais ficaram, digamos, espantados.
O site da ABC News, rede de televisão norte-americana, considerou as fotos um maravilhoso achado, mas ao mesmo tempo, “dramáticas”, e acrescentou que elas são um reflexo da situação de precariedade das “perdidas” tribos indígenas remanescentes, e do perigo que elas enfrentam no contato com a civilização. As fotos mostram índios pintados de vermelho, segurando arcos e flechas, no meio da “selva” (termo usado pelo jornal).
A notícia, intitulada “Descoberta de tribo amazônica levanta dilema sobre convívio”, aborda a questão sobre se tribos como essa devem continuar mantidas incomunicáveis. A resposta do um expert americano em Amazônia, Thomas Lovejoy é de que não. Para ele, o contato e a mudança devem ser estabelecidos, porém em um ritmo conduzido pelos próprios índios.
A tribo fotografada vive no Acre, na fronteira entre o Brasil e o Peru. Segundo a notícia, esta área abriga mais de 50 tribos incomunicáveis, das 100 estimadas de existirem ainda no mundo. Também de acordo com a matéria, estas tribos estão em perigo, principalmente do lado peruano, onde, observa, o reconhecimento das áreas de proteção indígenas é mais lento.
Em depoimento à rede americana, José Carlos Meirelles, oficial da Agência Brasileira de Proteção Indígena, diz que as tribos devem permanecer sozinhas o maior tempo possível; e acrescenta “Enquanto estivermos recebendo flechas na cara, está bom, no dia em que forem bem comportados, eles estão acabados”.
A notícia lembra que o contato de índios com o desenvolvimento já foi bastante desastroso para o Brasil, que hoje contabiliza cerca de 350 mil índios, comparados com os cinco milhões que existiam na época que os primeiros europeus chegaram.
Em minha opinião, deixemos os índios em paz. Não vamos deixar que os americanos queiram também tomar “posse” deles, e colonizá-los.
Fonte: ABC News